‘Pânico’ revisita legado do original enquanto aponta para o futuro – 13/01/2022 – Cinema e Séries

‘Pânico’ revisita legado do original enquanto aponta para o futuro – 13/01/2022 – Cinema e Séries


São Paulo

ALERTA: Este texto contém spoilers dos filmes da franquia “Pânico”.

“Você gosta de filmes de terror?”, frase clássica do mascarado Ghostface aparace já na primeira cena do novo “Pânico” (também chamado de “Pânico 5” pela ordem numérica dentro da franquia). O filme, que estreia nesta quinta-feira (13) nos cinemas de todo o Brasil, é puro suco de entretenimento para quem respondeu sim à pergunta inicial.

A produção começa, como todos os filmes da saga, com uma mocinha que está só em casa e atende a uma ligação. O fato de ela dispensar o número desconhecido algumas vezes antes de pegar o telefone já nos traz um pouco para o cenário atual, onde o telefone fixo tem como única função receber telemarketing.

Tara Carpenter (Jenna Ortega), a tal mocinha, passa por todo o rito de passagem que suas predecessoras —Drew Barrymore foi a primeira, no filme original, de 1996. Primeiro, dá papo para um desconhecido, depois percebe que se trata de alguém perigoso e, finalmente, é convidada para participar de um jogo mortal.

A personagem diz que até gosta de filmes de terror, mas do tipo cabeça. Ela cita produções como “Hereditário” e “A Bruxa”, mas o assassino pede que ela responda a perguntas sobre “Stab”, a franquia fictícia de filmes sobre os eventos que se passaram há 25 anos na também fictícia cidadezinha de Woodsboro, onde ela mora.

Esse ataque inicial é o ponto de partida para o que virá a seguir. Por causa dele é que Sam Carpenter (Melissa Barrera) volta à cidade onde não tinha mais intenção de botar os pés. Acompanhada do namorado, Richie (Jack Quaid), ela tenta entender o que está por trás das mortes que começam a se suceder e passa a suspeitar dos amigos de Tara.

Para ajudá-los, ela vai atrás do ex-policial, Dewey Riley (David Arquette), agora aposentado, que foi quem lidou com os crimes anteriores. Ele, por sua vez, se vê no dever de avisar à ex-mulher, a jornalista Gale Wethers (Courteney Cox), e à principal sobrevivente dos primeiros ataques, Sidney Prescott (Neve Campbell).

Claro que as duas, mesmo com tudo em contra, acabarão voltando à cidade dos ataques. Há, inclusive, uma morte entre o trio de protagonistas que sobreviveu a todos os ataques dos quatro filmes anteriores —afinal, como explica o roteiro autorreferente, é preciso mostrar que eles não estão ali para brincadeiras.

O papel de especialista em filmes do gênero, outro clássico da franquia, desta vez fica com a estudante lésbica Jasmin (Mindy Meeks-Martin). É ela quem explica a dinâmica e os conceitos do roteiro para o público —aliás, prestando atenção direitinho nas dicas, dá até para prever boa parte do final.

Em determinado momento, ela informa que o filme é uma “requel”, mistura de”reboot” com “sequel”, ou seja, ele não deixa de ser uma sequência, mas retoma elementos do filme original, tentando dar um novo rumo à franquia. Conceitos como “personagem-legado” e “fan service” são debatidos pelos personagens, espelhando muito do que a audiência vai conversar quando sair do cinema.

O filme também traz para o primeiro plano uma das discussões mais contemporâneas relacionadas ao entretenimento e à cultura pop, principalmente entre os aficionados por sagas (leia-se “Star Wars”, “Harry Potter” e os universos expandidos da Marvel e da DC, entre outros): a dos fãs tóxicos.

Como lidar com quem não aceita as ideias e desenvolvimentos propostos pelos próprios roteiristas e produtores da franquia? E com a forma pouco cortês com que os envolvidos nessas produções são cobrados (e muitas vezes atacados) nas redes sociais?

O certo é que esse novo “Pânico” parece querer estabelecer as bases para o futuro da franquia, já que além das novas apostas na frente das câmeras, esse foi o primeiro filme sem o diretor Wes Craven (1939-2015) e sem o roteirista Kevin Williamson (que assinou apenas como produtor). Nada mais inteligente do que já colocar os fãs mais malucos em seu devido lugar.

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