Kevin Feige e Amy Pascal falam do futuro do Homem-Aranha e do MCU – 24/12/2021 – Cinema e Séries

Kevin Feige e Amy Pascal falam do futuro do Homem-Aranha e do MCU – 24/12/2021 – Cinema e Séries



The New York Times

Godzilla fez o que pôde, da mesma forma que Shang Chi, James Bond, Venom e a equipe de “Velozes e Furiosos”. Mas fazer com que as bilheterias de cinema peguem no tranco depois do baque causada pela pandemia –retomar o controle da cultura– demorou muito mais do que Hollywood tinha imaginado.

Mas finalmente aconteceu quando “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”, estreou nos Estados Unidos, exclusivamente nas salas de cinema.

O filme arrecadou US$ 50 milhões (mais de R$ 283 milhões) nas sessões de “pré-estreia” que começaram às 15h da quinta-feira (16), de acordo com a Sony Pictures Entertainment, que financiou e produziu o filme em parceria com a Marvel Studios, do grupo Disney. Foi o terceiro melhor resultado de pré-estreia na história de Hollywood, atrás apenas de “Vingadores: Ultimato” (US$ 60 milhões, ou cerca de R$ 340 milhões) e “Star Wars: O Despertar da Força” (US$ 57 milhões, o equivalente a R$ 323 milhões).

No final de semana, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”, que recebeu críticas muito positivas, provavelmente ultrapassou os US$ 150 milhões (R$ 850 milhões) em vendas de ingressos. Nenhum filme conseguiu mais de US$ 90 milhões (R$ 510 milhões) de bilheteria em seu final de semana de abertura desde “Star Wars: A Ascensão Skywalker”, de 2019, de acordo com a Comscore.

“Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”, dirigido por Jon Watts, marca o final de uma trilogia estrelada por Tom Holland como Peter Parker e Zendaya como MJ, sua combativa parceria romântica. Mas o projeto, com orçamento de US$ 200 milhões (quase R$ 1,135 bilhão), também representa a culminação de quase 20 anos de filmes do Homem-Aranha –um total de oito– porque recorre a personagens que não eram vistos desde “Homem Aranha 3”, de 2007, e “O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro”, de 2014.

Duas pessoas estão envolvidas com a franquia, em diversas funções, desde o começo: Amy Pascal e Kevin Feige. Como principal executiva de cinema da Sony entre 1999 e 2015, Pascal foi responsável pelos primeiros cinco filmes “live-action” do Homem-Aranha; e trabalhou como produtora dos três mais recentes títulos. Feige trabalhou em diversas funções nos primeiros filmes do Homem-Aranha, inicialmente em relativa obscuridade, e foi produtor dos três últimos, em sua função como presidente do Marvel Studios.

Os dois conversaram comigo via vídeo de suas casas em Los Angeles. Abaixo, trechos editados da conversa, que incluem –atenção– alguns “spoilers” sobre “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”.

Vamos começar com uma pergunta fácil. Kevin, por favor fale sobre o mapa cinematográfico para o futuro do Homem Aranha no Universo Cinematográfico Marvel (MCU). Quero detalhes.

Feige: O quê?

Qual será o próximo filme “crossover” do MCU? “Doctor Strange in the Multiverse of Madness”, que sai em maio? Ou a retomada de “Quarteto Fantástico”? Não diga que não sabe porque eu sei que você sabe.

Feige: Ele vai aparecer em algum lugar. O quando e como, claro, são a parte divertida –e a parte sobre a qual não falamos.

E quanto ao próximo filme separado do Homem-Aranha? Amy, você disse no mês passado que você e Kevin – Sony e Disney – colaborariam em três outros filmes, o que parece ter apanhado os estúdios de surpresa.

Pascal: Somos produtores, e por isso acreditamos que tudo sempre vai dar certo. Amo trabalhar com Kevin. Temos uma grande parceria, com a ajuda de Tom Rothman, que dirige a Sony e teve um papel instrumental, um grande líder com grandes ideias. Espero que essa união dure para sempre.

Essa resposta parece ser um clássico recuo de Hollywood.

Feige: Amy e eu, e a Disney e a Sony, estamos conversando –sim, estamos começando a desenvolver ativamente os próximos passos da história, o que só estou dizendo porque não quero que os fãs sofram um trauma de separação como aconteceu depois de “Homem-Aranha: Longe de Casa” (o filme anterior da franquia, em 2019). Isso não vai acontecer, desta vez.

Pascal: No final do filme que acabamos de fazer, você vê o Homem-Aranha tomar uma decisão importante, uma decisão que ele nunca tinha tomado até agora. É um sacrifício. E nos dá muito com que trabalhar no próximo filme.

Este filme, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”, traz grandes personagens –e astros– dos últimos 20 anos da franquia. Como é que vocês conseguirão superá-lo?

Pascal: Nem todo filme de Homem-Aranha terá uma multidão de personagens. Essa foi a abordagem correta para o mais recente.

Não se pode pensar em que é preciso superar o que você mesmo fez em termos de espetáculo. Porque se isso acontece, os filmes se tornam cada vez maiores sem motivo, o que não é um bom resultado. Mas sempre tentamos nos superar em termos de qualidade e emoção. Kevin e eu jamais queremos perder uma coisa de vista: Peter Parker. Ele é um garoto normal. Torna-se órfão seguidamente. E é adolescente, o que significa que tudo em sua vida tem uma intensidade febril, e tudo parece importar imensamente. Ele é movido por sua bondade e seu senso de culpa. E luta por uma causa maior, mas é sempre atacado pela imprensa.

Qual foi o maior desafio na produção de “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”?

Feige: Conseguir que todo mundo aceitasse a ideia central, a ideia cool. “Ei, temos uma ideia. Que tal você assinar para o filme?” E aí a pessoa responde que, beleza, mas será que pode ler o roteiro antes? “Não”. Essa foi a parte mais difícil. E é aí que entra Amy, que liga para qualquer pessoa, em qualquer lugar, a qualquer hora, e é a rainha da produção, quando o assunto é fazer com que as coisas aconteçam.

Li em algum lugar, Amy, que você conversou com Tom Holland via FaceTime quando ele estava na banheira. Você tem capturas de tela para comprovar essa informação?

Pascal: É verdade. E, não, não vou compartilhar.

Quem foi o último astro a assinar para “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”?

Feige: Não foi quem você imagina. Não é um assunto que valha a pena discutir, mas não foi quem você imagina.

Que argumento vocês usaram para convencer os atores que pareciam céticos?

Pascal: O de que não estávamos falando de participações especiais limitadas que eles fariam só pelo cachê. Os papéis eram reais. Lembrei-os de que estive com eles lá nos primeiros filmes, e do respeito que tenho por seu talento, e do trabalho que fizemos juntos no passado.

Por que Kirsten Dunst e Emma Stone, que fizeram os principais papéis femininos em filmes anteriores do Homem-Aranha, não foram trazidas de volta para o novo projeto?

Feige: Quando as pessoas verem o filme, entenderão. O que importa é a história. Esse era um grande objetivo para todos nós –Amy e Jon e os roteiristas, Chris McKenna e Erik Sommers: o de que o último ano de Peter Parker no segundo grau não se perdesse em meio à insanidade que acontece graças ao encontro entre ele e o Dr. Estranho. Era um problema que poderia facilmente ter surgido. E é o motivo para não termos mais 20 personagens neste filme.

Falando de mulheres, quando é que veremos uma mulher com superpoderes ao lado do Homem-Aranha? Não existe uma história nos quadrinhos em que MJ experimenta a armadura do Aranha de Ferro?

Pascal: Nunca diga nunca. (Ela sorri, fingindo recato.)

Feige: Temos muitas histórias, Brooks! Muitas histórias. O que importa são os ótimos atores. Meu palpite é que sua pergunta é menos sobre os quadrinhos e mais sobre “Zendaya é ótima. Podemos vê-la em um papel maior?”

Tobey e Kirsten. Emma e Andrew. Tom e Zendaya. Por que todos os atores que formam o casal central do Homem-Aranha se apaixonam na vida real? Não pode ser só o uniforme.

Pascal: Conversei separadamente com Tom e Zendaya, quando os escalamos, e ralhei com eles. “Não caiam nessa. Evitem e pronto. Tentem evitar”. Dei o mesmo conselho a Andrew e Emma. Isso pode complicar as coisas, não é? Mas todos me ignoraram.

Você poderia transmitir a Tom um conselho meu? Não minta aos repórteres! No ano passado, ele disse em diversas entrevistas que Tobey e Andrew não voltariam à franquia.

Pascal: Ele não pode revelar coisas que estão no filme. E você não deveria esperar que o fizesse. Perdoe-o.

Uma última pergunta para vocês. Qual é a verdade sobre o início da colaboração entre Pascal e Feige? Pelo que sei, você, Amy, estava no comando da Sony e fez uma continuação meio capenga para “O Espetacular Homem-Aranha”, em 2014. E aí você telefonou para Kevin para pedir socorro.

Pascal: É verdade. Liguei para Kevin e pedi socorro. E ele veio ao meu escritório para um almoço e disse que sabia como podia me ajudar. E eu joguei um sanduíche nele.

Feige: Ela disse que queria minha ajuda no próximo filme, e que eles tinham ótimas ideias para o filme, coisas maravilhosas. E eu respondi que não era bom em simplesmente dar conselhos e me distanciar. A única maneira pela qual eu poderia ajudar seria se fizéssemos o filme para vocês.

Corta para o sanduba voador.

Feige: Era um sanduiche simples, qualquer que fosse. Mas, sim, ela não gostou da sugestão.

Pascal: E então Kevin me ligou, foi à minha casa e disse: “Tenho uma ideia. E se Tony Stark criar a roupa de Peter?” Logo que ele disse isso, compreendi as possibilidades do que poderíamos fazer juntos. Ter o Homem de Ferro e o Homem-Aranha no mesmo mundo, um mundo mais enraizado na tecnologia –um novo traje– do que na experimentação médica, que é o campo a que estávamos confinados antes. Isso parecia muito mais moderno.

​Deu muito trabalho. Mas veja os resultados. Fantástico, não é?

Tradução de Paulo Migliacci.

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