Entenda a Semana de 22, que faz 100 anos, em 9 perguntas – 12/02/2022 – Ilustríssima

Entenda a Semana de 22, que faz 100 anos, em 9 perguntas – 12/02/2022 – Ilustríssima


O que foi a Semana de 1922? Além de uma exposição de arte no saguão do Theatro Municipal de São Paulo, a Semana, inaugurada em 13 de fevereiro de 1922, foi um evento marcado por três noites, nas quais sucederam-se palestras, leituras de textos literários, concertos e uma apresentação de dança.

Quais eram os principais artistas plásticos exibidos na Semana? O destaque era a pintora Anita Malfatti, que exibiu obras, na realidade, já expostas em São Paulo em 1917, ocasião em que foi alvo de furioso ataque de Monteiro Lobato, inimigo da arte moderna. Além de Anita, estavam presentes, entre outros, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, John Graz, Regina Graz e Vicente do Rego Monteiro. A pintora Tarsila do Amaral, muito ligada ao grupo modernista, não participou. Na ocasião, encontrava-se em Paris.

Que escritores participaram? Os principais foram Mário de Andrade (que à época já havia escrito, mas ainda não publicado seu livro “Pauliceia Desvairada”), Oswald de Andrade, Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Luís Aranha e Plínio Salgado. O poeta Manuel Bandeira não compareceu, mas teve seu poema “Os Sapos” lido por Ronald de Carvalho.

E na música? O grande nome foi Heitor Villa-Lobos, mas também se apresentaram, entre outros, Ernani Braga, Lucília Villa-Lobos e Guiomar Novaes, que era a mais famosa de todos, mas não, de fato, uma modernista.

É verdade que os modernistas providenciaram grupos para estimular vaias na plateia? Sim. Com longas palestras e poucas atrações novidadeiras, a primeira noite da Semana foi considerada aborrecida em comentários de quem foi e da imprensa. Para a segunda noite, que reuniria poetas, entre eles o irreverente Oswald de Andrade, os modernistas queriam preencher a expectativa de que haveria ali uma espécie de “happening futurista”. Queriam causar, como se diz hoje. Menotti del Picchia relatou depois que seria “importante uma reação violenta do público” e por isso foram providenciados “pequenos grupos estrategicamente colocados para acirrar a projetada vaia”.

É verdade que Villa-Lobos se apresentou de chinelo? O episódio tornou-se folclórico e foi interpretado por alguns como um gesto provocador ou como um problema de unha encravada. Os relatos mais confiáveis falam de um dos pés enfaixados —a causa, o próprio Villa explicou depois: fora atacado antes de viajar a São Paulo por uma “bruta manifestação de ácido úrico”.

A Semana só reuniu artistas paulistas? O evento reuniu artistas de diversas procedências. Além de famosos cariocas, a exemplo de Villa-Lobos e Di Cavalcanti, o evento contou com nomes nascidos em outros estados, como Pernambuco e Minas, além de vários estrangeiros.

Quem teve a ideia da Semana? A ideia de uma grande exposição ou um grande salão, que aparecia entre os modernistas, tinha no pintor Di Cavalcanti o maior entusiasta. Foi ele quem propôs o evento após conversas com o grupo e com o mecenas Paulo Prado e sua mulher, Marinette Prado, na casa do casal, em Higienópolis. Marinette teria mencionado as Semanas de Festas que aconteciam na cidade francesa de Deauville, que serviu como primeira referência.

Quem financiou a Semana? O mecenas foi Paulo Prado, membro de uma parcela mais esclarecida e cosmopolita da elite paulista, que tinha apreço pelas artes e pelas letras. Era membro da rica família Silva Prado. Sobrinho de Eduardo Prado, chegou a conhecer Eça de Queiroz ainda menino. O grande escritor português era amigo de seu tio, que morava em Paris. Como era comum à época, Paulo Prado constituiu um comitê encarregado de arrecadar fundos e organizar o evento. Participavam do grupo, entre outros, Oscar Rodrigues Alves, Armando Penteado, Alfredo Pujol e René Thiollier.

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