‘Ele queria mudar a educação no Brasil’, dizem amigos de João Carlos di Genio – 13/02/2022 – Cotidiano

‘Ele queria mudar a educação no Brasil’, dizem amigos de João Carlos di Genio – 13/02/2022 – Cotidiano


Políticos, amigos e personalidades ligadas à educação despediram-se neste domingo (13) do professor, médico e empresário João Carlos di Genio, fundador do grupo Unip/Objetivo.

Ele morreu de causas naturais, na noite deste sábado (12), em sua casa nos Jardins, na zona oeste de São Paulo. Di Genio completaria 83 anos no próximo dia 27.

Amigo de muitos anos, o médico Drauzio Varella, colunista da Folha, diz que o sonho de revolucionar a educação o uniu a Di Genio.

Os amigos estudaram juntos e iniciaram a carreira de professor de cursinho na juventude. “Eu tinha 18 anos e acho que ele uns 21 ou 22. Quando eu tinha 22 anos e ele 25 ou 26 nós fundamos o curso Objetivo com mais dois médicos [Roger Patti e Tadasi Itto]. O nome eu que dei, mas quem tocou foi ele”, conta Drauzio Varella.

Na época, Di Genio havia acabado de se formar médico, mas largou a medicina e começou a se dedicar integralmente ao ensino. “Montou o cursinho, o colégio Objetivo, que começou a ter filiais em vários lugares, e aí a Unip. A vida dele foi isso. Ele viveu o tempo inteiro para o trabalho e o trabalho dele era a escola”, relata o amigo.

Na visão de Drauzio Varella, Di Genio foi inovador, esperto, sabia onde estavam as oportunidades, o que e como fazer.

“Ele fez coisas importantes, por exemplo, quando tínhamos o cursinho fomos os primeiros a colocar televisão em sala de aula. Estamos falando do começo dos anos 1970. Muito ativo, conseguiu organizar faculdades em pontos diferentes do país.”

A vida separou os caminhos profissionais de Drauzio e Di Genio, mas a amizade ficou. “Tenho muito carinho por ele. Ele tinha a cabeça do empresário. Quando você começa a cuidar de uma empresa grande, com muita gente, acaba se afastando das pessoas. A gente se separou um pouco, mas quando nos encontrávamos era muito bom. Tínhamos uma história de muito tempo.”

“Nós tínhamos sonhos grandiosos de uma escola maravilhosa, revolucionar a educação do Brasil, acabar com o analfabetismo. Tínhamos essas pretensões meio utópicas, mas que empurravam a gente para a frente”, lembra Drauzio.

Obstinado

Ricardo Trípoli, secretário chefe da Casa Civil na Prefeitura de São Paulo, disse que, com a morte de Di Genio, o país perde uma referência em educação. A amizade entre os dois começou em 1978.

“Quando eu comecei a dar aula lá [no cursinho Objetivo] ele praticamente me adotou. Fui para a vida pública praticamente por causa do trabalho dele. Era um camarada parceiro, alegre, o tipo de amigo que você tem para a vida toda. Embora tivéssemos uma diferença de idade, ele foi muito jovem e pensava como jovem. Era um guerreiro que não deixava soldado caído na estrada. Sempre ajudou todo mundo, nunca abandonou a trincheira. Ele era obstinado no que queria e queria mudar a educação no Brasil”, afirma Trípoli.

Trípoli conta que o pai de Di Genio era engenheiro agrimensor e queria que ele estudasse engenharia. “O primeiro cursinho que ele fez foi com recursos do tio, irmão da mãe. O pai achava que era uma aventura. Ele que inventou o cursinho no Brasil. Antigamente, você fazia o científico e prestava o vestibular”, conta.

“Ele tinha uma visão moderna de ensino e sempre foi aprimorando. Uma vez eu perguntei a ele quem é o aluno superdotado. Ele respondeu ‘qualquer um. Se você educar, verificar qual o potencial e desenvolver a pessoa, ele será um superdotado’. Mesmo após 50, 60 anos, di Genio percebeu a dificuldade do jovem e se antecipava”, finaliza Trípoli.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, também lamentou a morte do empresário. “O Brasil e a cidade de São Paulo perderam hoje um de seus principais empresários e educadores, com a passagem do professor João Carlos Di Genio. Ele dedicou sua vida à educação e criou um método de ensino consagrado em todo o país. À família, parentes e amigos os nossos mais sinceros sentimentos.”

Para o ministro da Educação, Milton Ribeiro, Di Genio foi um homem diferenciado. “Com tristeza nos despedimos do professor Dr. João Carlos di Genio. Homem diferenciado e de honrada história. Suas contribuições para a educação brasileira permanecerão como bom legado. Nossos sentimentos à família e oração para que o nosso Deus os conforte no momento de luto”, escreveu no Twitter.

Rossieli Soares, secretário estadual da Educação de São Paulo o comparou a um gênio. “Di Genio teve este sobrenome não foi à toa. Com ideias à frente do seu tempo, mesmo tendo se formado médico, como professor nato dedicou-se à docência. Seu legado ultrapassou fronteiras. Meus sentimentos aos familiares”, disse à Folha.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, também usou as redes sociais prestar homenagens. “Manifesto profundo pesar pelo falecimento do professor João Carlos di Genio, um dos maiores fomentadores do ensino no país. Grande entusiasta da educação, Di Genio inspirava seus projetos na concretização dos sonhos de seus alunos. Meus sentimentos aos amigos e familiares”, escreveu.

O presidente do Grupo SEB (Sistema de Ensino Brasileiro) também lamentou a morte. Para Chaim Zaher, o educador foi um homem revolucionário.

“O Brasil acordou menos inteligente hoje. Deixou-nos um dos homens mais brilhantes de sua geração, um verdadeiro revolucionário da educação: João Carlos di Genio. Tudo o que sei sobre educação, aprendi com ele, a partir do seu exemplo. Tenho orgulho de ter sido discípulo de um mestre inovador, visionário e realizador”, afirma.

Zaher lembra da generosidade do amigo. “Ele foi tudo isso, sim, e generoso também. Sempre me incentivou, inclusive quando adquiri os sistemas educacionais COC, instituição que, na época, era concorrente do Colégio Objetivo. Maior do que nossos interesses empresariais, ele me dava conselhos e mostrava caminhos a serem seguidos na educação.”

“Portador de QI elevado, Di Genio idealizou escolas para crianças superdotadas e especialmente habilidosas, valendo-se inclusive da tecnologia. Dizia, com razão, que a inteligência e os talentos deveriam ser tratados como a maior riqueza de um país”, finaliza.

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