Christine Baranski, 70, é disputada na TV, fanática por futebol e adora festas nudistas – 13/09/2022 – Cinema e Séries

Christine Baranski, 70, é disputada na TV, fanática por futebol e adora festas nudistas – 13/09/2022 – Cinema e Séries



The New York Times

É muito meta que eu esteja sentada em companhia de uma atriz que é o epítome da sofisticação do Upper East Side em um hotel que é o epítome da sofisticação do Upper East Side.

Bem, algumas quartas-feiras são melhores do que outras.

Christine Baranski apareceu muito elegante para nosso almoço no hotel Mark, usando um terninho preto Michael Kors e óculos de sol azuis Robert Marc; cada cabelo de sua franja enfatizada por luzes parecia estar precisamente no lugar, e sua maquiagem era perfeita. Na verdade, ela lembrava exatamente a dama prototípica da sociedade nova-iorquina cuja silhueta enfeita os porta-copos do hotel –se desconsiderarmos o fato de que a atriz não estava carregando um cachorrinho.

Aos 70 anos, Baranski está mais ocupada do que nunca. Ela acaba de encerrar as gravações da sexta e última temporada de “The Good Fight”, série derivada de “The Good Wife” e criada por Robert e Michelle King. A série leva adiante o relato das aventuras de Diane Lockhart, uma advogada progressista de Chicago que agora trabalha em um prestigioso escritório de advocacia predominantemente negro. Mas “The Good Fight” é uma história menos convencional que a da série que a inspirou –a sensação é a de que o elenco todo está sempre a ponto de sair cantando—, e combina fantasia e acontecimentos atuais a participações especiais de pessoas famosas ou personagens que funcionam como retratos não muito velados de pessoas reais. Na nova série, Diane se torna uma das líderes e principais conspiradoras da resistência a Donald Trump.

Nos Estados Unidos, a estreia da temporada final aconteceu quinta-feira (8) no serviço de streaming Paramount+ (no Brasil, ainda não há data confirmada para a chegada oficial dos novos episódios). Baranski também está filmando a segunda temporada de “A Idade Dourada”, a ópera sem música de Julian Fellowes, e, nas pausas de seu trabalho na TV, está estudando T.E. Lawrence e Oscar Wilde na Universidade de Oxford.

Agora, ela brinca, sua maior ambição é interpretar o Bobo da Corte, na versão de Meryl Streep para “Rei Lear”.

Baranski tem competência para isso. Sua experiência no teatro é considerável, e ela estudou na Juilliard School em uma era dourada que produziu Robin Williams, Patti LuPone, Kevin Kline e Mandy Patinkin.

“Eu não era bonita o bastante para ser uma estrela de cinema”, ela disse, “e provavelmente por isso não aspirei a me tornar atriz de cinema”.

Mas ela se tornou estrela de TV, depois dos 40 anos, e impressionou os fãs com seu talento cômico em filmes como “The Birdcage – A Gaiola das Loucas”, “Os Picaretas” e “Mamma Mia!” (sem esquecer “Boeing Boeing”, uma farsa produzida para a Broadway).

Baranski é um retorno às atrizes da década de 1940 como Rosalind Russell e Eve Arden, capazes de expressar cafonice e glamour, temperamento ferino e emoção, malvadeza e fidelidade, tudo ao mesmo tempo. Em outras palavras, ela é a melhor amiga perfeita.

“ELA TEM UM POUCO DE ELAINE STRITCH”

“Moro no Upper East Side, mas normalmente não ando assim tão arrumada”, disse Baranski, pedindo desculpas e explicando que tinha acabado de sair de uma sessão de preparação para um ensaio fotográfico.

Não acredito nela, é claro. Muitos de seus colegas me disseram que Baranski é invejavelmente meticulosa.

“Estávamos no avião a caminho da cerimônia do Emmy, e eu olhava para o lado e lá estava ela, com o batom perfeito, aquelas pernas longas, a cabeça coroada por aquele cabelo glorioso, lendo o The New York Times”, disse Julianna Margulies, que contracenou com Baranski em “The Good Wife”.

Cynthia Nixon interpreta a irmã mais nova e mais boazinha de Baranski em “A Idade Dourada” e, há quase 39 anos, fez o papel da filha adolescente da colega na produção original de “The Real Thing”, de Tom Stoppard, na Broadway, dirigida por Mike Nichols. (Baranski ganhou um Tony por esse papel.)

“Ela é uma garotinha de Buffalo, mas parece sempre que acabou de chegar de Paris”, disse Nixon. “É uma cidadã do mundo, e nunca para de cultivar seu jardim, quer seja lendo, pesquisando, ou batalhando para melhorar seu instrumento de trabalho —aquele corpo incrível”.

Meryl Streep, que trabalhou com Baranski nos filmes “Mamma Mia!”, também expressou sua opinião sobre a amiga, que tem 1,80 metro de altura: “Ela tem uma postura de rainha”.

Baranski se limitou a dizer que “faço Pilates e sou moderada em meus hábitos. Tenho bons genes”.

Porque vivo sempre desarrumada, mulheres que nunca saem de casa parecendo menos que perfeitas, como se tirassem cada peça de roupa da embalagem da loja, sempre me fascinaram. (Minha irmã é uma delas.)

Cheguei mais perto para examinar Baranski atentamente e tentar descobrir como ela consegue. Mas esbarrei no bule de leite semidesnatado que estava na mesa para acompanhar o café da atriz e, quando ele virou, algumas gotas caíram sobre seu terninho preto. Sem perder o ritmo, ela usou um guardanapo para cobrir a mancha e continuou falando sobre Tom Stoppard.

Baranski é o tipo de atriz que jamais faltaria a uma apresentação ou chegaria o palco sem saber suas falas. Certa vez, antes de estrear no papel-título do musical “Mame”, no Kennedy Center de Washington, ela escorregou e caiu em uma calçada de Nova York, e quebrou sua rótula direita. (O que a levou a fazer um trocadilho com o nome do espetáculo, que segundo ela deveria mudar para “Maimed” [mutilada].) Mas quando chegou o dia da estreia, dois meses mais tarde, ela tinha conseguido se recuperar a ponto de poder cantar e subir e descer a grande escadaria do cenário dançando.

Não estou dizendo que ela é uma figura tão empertigada quanto Agnes van Rhijn, sua personagem em “A Idade Dourada”, uma pessoa temível que, exatamente como a condessa viúva interpretada por Maggie Smith em “Downton Abbey”, é capaz de arrasar um interlocutor com apenas um desvio de olhar ou tirada ferina. É o tipo de personagem que Julian Fellowes, o criador de ambas as séries, descreve como “velha e sardônica sobrevivente”, matriarcas que batalham constantemente para tentar preservar os padrões da sociedade contra a decadência.

Mas diferentemente de tia Agnes, Baranski é conhecida por realizar festas nudistas no lago de sua casa em Connecticut, em companhia de colegas atores como Mark Rylance e Cherry Jones.

“Pois é, temos bacanais adoráveis, mas sem nenhum comportamento indevido”, ela disse. “Acho que Cherry, especialmente, pouco se incomoda com nadar nua, de dia ou de noite”.

“Christine exala classe e graça, mas ela é capaz de emborcar um martíni, devorar um cachorro-quente e falar de esportes como o mais fanático dos torcedores”, disse Margulies.

Baranski ama ópera e é torcedora devotada do Buffalo Bills; ela costuma usar uma camiseta com os dizeres, “Buffalo, uma cidade que ama beber e tem um problema com o futebol [americano]”. E quanto aos martínis, ela disse, sua preferência é por gim Grey Goose e uma casca de limão –o vermute deve ser só “um toquezinho adicional”. Ela se limita a um martíni e meio, e não parece capaz de acompanhar o desempenho etílico de Maryann Thorpe, sua personagem na sitcom “Cybill”, da década de 1990, que se vestia fabulosamente, não respeitava a correção política e jamais era vista sem ter em mãos seu acessório favorito: um martíni.

Um diálogo típico entre Cybill e Maryann:

Cybill: “Você sabe o que é incrível, Maryann?”

Maryann: “Que eles façam vodca a partir do trigo?”

Embora as duas atrizes tivessem uma química excelente diante das câmeras, Cybill Shepherd –a protagonista da série– mencionou em suas memórias a tensão que existia entre elas, afirmando que Baranski preferia manter a distância. Pessoas ligadas à série me disseram que o fato de Baranski ter sido premiada com um Emmy por seu papel, e Shepherd não, contribuiu para o clima tenso, e Shepherd escreveu que “o grão de verdade nessa controvérsia é que eu tive inveja, claro. Quem não quer ganhar um Emmy”?

Tom Waerner, um dos produtores de “Cybill”, descarta as críticas a Baranski. “Ela não tinha nada de esnobe”, ele me disse. “Era brilhante”.

Baranski afirmou: “Você acredita que isso ainda vem à tona? As pessoas ainda querem saber”. Ela se recusou a dizer qualquer outra coisa com relação a Shepherd.

Maryann se tornou tão popular que Baranski posteriormente recusou convites para papéis que envolvessem beber demais, por medo de ficar caracterizada como atriz especialista em bebuns.

“Quando me pedem para posar para fotos”, ela disse, “nunca poso com uma bebida na mão”.

Michael Kahn, que foi professor de atuação de Baranski na Juilliard, a elogiou muito, dizendo que “ela faz a melhor interpretação de uma pessoa embriagada que já vi”. Baranski diz que é mais fácil para as mulheres do que para os homens serem engraçadas quando interpretam personagens embriagados.

“Ela tem um pouco de Elaine Stritch”, disse Streep, cuja filha mais velha, Mamie Gummer, trabalhou com Baranski em “The Good Fight”, e cuja filha mais nova, Louisa Jacobson, interpreta a mocinha ingênua em “A Idade Dourada”. (Coube a Streep contar a Baranski que Jacobson “morre de medo” dela quanto a atriz encarna a tia Agnes).

Margulies recordou que certa vez, quando ela e Baranski estavam indo a pé para uma exposição do Costume Institute no Museu Metropolitano de Arte de Nova York, foram acossadas por um grupo de caçadores de autógrafos.

Baranski se aprumou, olhando o grupo de cima, e disse asperamente ao líder dos caçadores de autógrafos: “Oh, não, querido, não seja tolo”, e seguiu em frente.

“NOITE DE REIS” E BANHOS FEITICEIROS

Os avós de Baranski eram imigrantes e tinham sido atores de teatro na Polônia, sua terra natal. Ela cresceu em um bairro operário do subúrbio de Buffalo, habitado por americano de origem polonesa. O pai de Baranski morreu quando ela tinha oito anos, e era editor de um jornal em polonês, e sua mãe trabalhava como compradora de peças para fábricas de condicionadores de ar.

Baranski estudou em uma escola feminina católica, e trocamos histórias sobre freiras assustadoras. No colegial, ela adotou uma maneira de falar pretensiosa, parecida com o bizarro sotaque inglês de Madonna.

“Acho que decidi que não queria falar como uma garota de Buffalo”, ela recordou, “e quando as pessoas me perguntavam se eu era inglesa, eu respondia que não, que aquilo era só uma afetação”.

Ela tinha problemas com o som do S sibilante e foi rejeitada quando fez sua primeira audição para a Juilliard. Depois que consertou seus dentes da frente –”eu tinha uma lacuna entre os dentes, como a de Lauren Hutton, mas não tão bonita”—, e fez aulas de teatro, a escola a autorizou a fazer um novo teste, mas a página escolhida estava repleta de S. Ela recitou uma fala de Viola, em “Noite de Reis”, de Shakespeare, mas pronunciou o nome “Viola” do jeito errado.

Um dos membros da banca estrondou: “O certo é vai-ola. Viola é um instrumento musical. Você está no departamento errado”.

Baranski brincou que foi admitida “de raspão e por muito pouco”.

Mas, talvez só para mostrar aos seus professores que ela tinha talento, ela conquistou aclamação, estrelando em uma cascata de produções que destacavam a letra S: Shakespeare, Stoppard, Sondheim, Neil Simon, Cybill Shepherd e “Os Simpsons”.

Baranski foi casada por 30 anos com o ator Matthew Cowles, até a morte dele em 2014. Ele trabalhou por muito tempo na novela diurna “All My Children”, fazendo o papel de Billy Clyde Tuggle.

“Ele interpretava um cafetão, um sujeito meio tosco, e escrevia seus próprios diálogos”, disse Baranski. “O personagem foi tirado do ar por algum tempo porque o reverendo Jerry Falwell e a Maioria Moral queriam limpar a televisão, e para isso ele precisava sair.”

Baranski fez uma participação especial, contracenando com o marido. “Dez dias depois de minha primeira filha nascer, desenvolvemos uma trama em que eu era a namorada barraqueira de Billy Clyde, e morávamos em um trailer”, ela disse. “Nós dois sequestramos um dos personagens principais da novela. Por favor, prometa que você não vai procurar essas cenas. É tão ruim que é quase ótimo.”

Ela deu crédito ao marido por saber lidar bem com o sucesso maior que ela veio a conquistar.

“Era bem difícil”, ela disse, com um tremor na voz. “Em um evento do Emmy, eu estava no tapete vermelho com ele e um fotógrafo gritou para que ele saísse da frente porque estava bloqueando minha luz. E ele saiu.”

“Ele era um homem de coração muito grande. Sentia-se realmente feliz por mim, e tinha muito orgulho de mim.”

O casal teve duas filhas: Isabel, que é formada em direito e escritora, e Lily, uma atriz que acaba de produzir um filme, um curta-metragem surreal sobre uma mulher que perde os dentes, um a um.

Os amigos de Baranski elogiam muito a dedicação dela à família, e contam que a atriz, quando estava filmando “Cybill”, viajava de madrugada de Los Angeles ao Connecticut depois do final das gravações, a cada semana, para estar com as filhas. E eles ficam pasmos com sua competência no papel de avó de três meninos.

King, um dos criadores de “The Good Fight”, fica maravilhado por Baranski não se limitar a dar banho nos netos: “Ela os banha ao ar livre, finge ser uma bruxa, joga um caldeirão de água sobre eles e dá uma risada maquiavélica”.

“Sou uma bruxa aterrorizante e maravilhosa”, disse a atriz, em tom leve. “Minha missão é mantê-los longe da televisão, porque quando criamos nossas meninas, em Connecticut, não havia TV em casa. Sei que as crianças podem ter uma infância feliz sem serem hipnotizadas e emburrecidas pela TV”. (Talvez ela esteja se baseando em sua overdose de MSNBC, na era Trump.)

King disse que Baranski é muito maternal com a equipe da série. “Se alguém precisa de ajuda, é ela que a oferece, sempre discretamente”, ele afirmou, acrescentando que, quando um membro da equipe se machucou e não pôde trabalhar durante meses, Baranski foi uma das pessoas que lhe deram dinheiro “para que ele pudesse continuar colocando comida na mesa”.

“AGRADEÇO A DEUS PELO TALCO E PELO PILATES”

Quando “The Good Fight” estreou, os King s upuseram que Hillary Clinton seria presidente. No meio da gravação do piloto, tiveram de mudar de premissa. A série começa com uma tomada que mostra Diane Lockhart, usando pérolas e um vestido preto, assistindo à posse de Trump. Agora, Diane precisa lidar com a intolerável ideia de que ele pode declarar em breve uma nova candidatura à presidência (caso não esteja na cadeia).

“Seis anos depois, você consegue acreditar que esse cara ainda está em nossos cérebros, ocupando todo este espaço?”, disse Baranski, mordiscando um biscoito. Ela culpa a mídia noticiosa, principalmente. “Tudo que ele diz recebe cobertura, cada um dos absurdos que ele declara”, afirmou atriz. “E isso lhe dá muita força.”

A série trata de questões raciais espinhosas, e retrata uma luta pelo poder entre Diane e os sócios negros, que não a querem no comando do escritório por causa de sua raça.

Os King ficaram tão impressionados com a capacidade de Baranski de ser sexy, apesar de já ter passado dos 60 anos, que, para a temporada final, envolveram seu personagem em um triângulo romântico com dois homens, o marido republicano de Diane (interpretado por Gary Cole) e um médico (interpretado por John Slattery), que lhe dá microdoses de um alucinógeno para ajudá-la a lidar com o estresse das ameaças ao direito de voto e à decisão judicial que permitia o aborto.

Baranski disse que agradeceu muito a King: “Meu Deus, acabo de ter o dia de trabalho mais maravilhoso. Passei o dia na cama entre Gary Cole e John Slattery”.

Em uma cena da quarta temporada, Diane vestiu um macacão de vinil preto em estilo dominatrix, para seduzir seu marido, Kurt, um conservador taciturno que trabalha para o governo Trump e a National Rifle Association, (NRA), e que vai a uma caçada com os filhos da Trump e leva um tiro, como aconteceu quando Dick Cheney era vice-presidente.

“Graças a Deus pelo Pilates e pelo talco”, disse Baranski, com humor seco. “Precisamos de quatro assistentes de figurino e muito talco para me enfiar naquela roupa e me tirar dela. É um figurino que merece mais de um orgasmo”.

Embora a ideologia política de Kurt cause incômodo a Diane, ela está determinada a superar as diferenças entre eles. Quando ele demonstra pouco entusiasmo pela roupa de dominatrix, ela muda para um visual de “Barbie NRA”, acrescentando um chapéu de caubói e um rifle.

“É uma forma de manter as coisas animadas no quarto”, explica Baranski, “já que eles não ousam falar de política na sala de jantar”.

Mo Rocca, que fez uma participação especial em “The Good Fight”, me disse que a reação de quem assiste não é a de que “aquilo é sexy para um casal mais velho, e sim a de que aquilo é sexy e só. Ela está melhorando à medida que envelhece, o que eu acho muito cool”.

Em uma época em que muitos universitários declaram em pesquisas que se recusariam a dividir um dormitório ou a sair com um estudante do partido oposto, Diane e Kurt parecem ser a única mistura entre democratas e republicanos que continua a funcionar nos Estados Unidos.

Diane consulta o fantasma da juíza Ruth Bader Ginsburg, em traje completo, incluindo o colarinho de renda branca que enfeita seu manto preto –o papel cabe à maravilhosa Elaine May–, para descobrir como ela conseguia se manter amiga do juiz Antonin Scalia.

O fantasma de Ginsburg diz a Diane que o juiz Scalia a provocava e a fazia rir, que ele fazia um macarrão “maravilhoso”, e acrescenta que “a vida é curta demais para brigar por absolutamente tudo”.

Em um episódio particularmente inventivo, os King conjuraram um mundo ao estilo de “A Felicidade Não se Compra” no qual Diane é nocauteada e acorda achando que Hillary Clinton, a quem ela admira demais, venceu a eleição. Diane fica chocada ao saber que seu escritório está representando Harvey Weinstein, porque não houve movimento #MeToo; as mulheres que ele atacou não tiveram coragem de se pronunciar publicamente, já que a presidente Hillary concedeu a Weinstein a Medalha Presidencial da Liberdade. Do lado positivo, porém, a população de ursos polares está se expandindo.

“Uma das melhores coisas dessa personagem”, disse Baranski sobre Diane, “é que ela nunca foi retratada como vítima. Não gosto de interpretar vítimas. Eu seria terrível como cônjuge sofredora”. Ela disse que também é por isso que gostava de interpretar Maryann Thorpe, que “tomava seus três martínis no almoço e planejava vinganças criativas contra seu ex-marido”.

Pergunto a Baranski sobre seu enorme arsenal de risos. Ela tem cerca de 12 risadas diferentes, todas cintilantes —que vão do amuado ao sarcástico, sem esquecer a risada do “você acredita que Donald Trump pode se candidatar de novo?”.

“Gosto de ser conhecida pelo meu riso”, disse Baranski. “Meu riso e minhas pernas, esse vai ser meu legado. Risos, pernas, legado. Eu sempre disse que, se pudesse ser fotografada da cintura para baixo, teria tido uma grande carreira cinematográfica.”

CONFIRMA OU NEGA

Você foi escolhida como Miss Kielbasa 1970?

Não, mas recebi o prêmio Polish Ham: um presunto.

Você passou o Met Gala todo olhando feio para Elon Musk?

Não. Minhas filhas me deram uma foto dele como presente do Dia das Mães. Eu não o conheço. Mas me irrita que os bilionários gastem todo seu dinheiro tentando chegar ao espaço quando há tanto trabalho para fazer aqui embaixo.

Perder para Maggie Smith no Emmy de 2012 foi uma das maiores conquistas de sua carreira?

A idéia de Maggie Smith como atriz coadjuvante é realmente risível. Ela é meu ídolo. Eu vi o “Otelo” de Laurence Olivier em um cinema de Buffalo, e uma atriz chamada Maggie Smith interpretava Desdêmona. Acompanhei a carreira dela. Acho que ela é um exemplo consumado de técnica.

Você ficou muito entusiasmada por fazer uma cena com seu “crush”, Colin Firth, em “Mamma Mia!”?

Eu estava com um maiô vermelho Norma Kamali, boiando dentro de um pequeno bote-salva-vidas. Estávamos no mar, e com isso eu o tinha todo para mim. E foi um daqueles momentos maravilhosos em que você pensa que “mal posso acreditar que estou fazendo isto”. Eu amo os ingleses. Acho que fui britânica em uma vida anterior.

Quando você trabalhou com Cher em “Mamma Mia! – Lá Vamos Nós de Novo”, ela a definiu como “a high-kicking bitch”?

Sim. E isso é fantástico.

Quando Tom Stoppard escreveu a peça “Hapgood”, você se candidatou a um papel?

A peça é sobre física quântica. Escrevi um bilhete para ele: “Caro Tom, ouvi dizer que você escreveu uma peça de teatro sobre física quântica. Existe uma partícula para mim?”

Você aguentaria facilmente um frio de zero grau para ver o Buffalo Bills derrotar o New Englans Patriots?

Com toda certeza.

Tradução de Paulo Migliacci

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original